RECEBA NOSSO CONTEÚDO DE FORMA GRATUITA DIRETAMENTE NO SEU EMAIL

Grupo StudioVarejoFED e Copom podem sinalizar pausa

FED e Copom podem sinalizar pausa

A novela da trade war ainda é o que dá rumo aos mercados, mas o dia tem Fed e Copom. Nos EUA, o juro deve ficar estável (decisão às 16h de Brasília) e, no Brasil, a Selic deve cair para 4,50% (18h20), estreitando ainda mais o diferencial das taxas, que pesa para o fluxo. As duas reuniões podem ter em comum a sinalização de uma pausa. Do Fomc, é isso o que se espera. Do BC, essa é a grande dúvida, se vai parar agora ou estender o ciclo de quedas para fevereiro. O recado virá no comunicado. Na Nasdaq, a estreia da XP é a grande sensação.

A companhia emplacou IPO de US$ 2,25 bilhões. Com elevada demanda (superou em 14 vezes a oferta), a ação foi precificada em US$ 27, acima da faixa indicativa de preço do prospecto da oferta, que ia de US$ 22 a US$ 25.

Com esse valor, a empresa chega à bolsa americana avaliada em US$ 14,9 bilhões, ou R$ 61,7 bilhões. O montante corresponde a cerca de 20% do valor de mercado do Itaú Unibanco, dono de 49,9% da XP.

O banco, que não vendeu sua participação no IPO, terá sua fatia diluída a 46,1% depois da operação e ficará com 32,5% do poder de voto. A oferta inicial de ações prova que o Itaú fez um excelente negócio ao comprar a XP.

Em maio de 2017, quando acertou a aquisição da participação, a XP era avaliada em R$ 12 bilhões. Hoje, vale mais do que cinco vezes. De lá para cá, os papéis da XP registraram uma valorização superior a 400%.

A companhia começa a ser negociada hoje na bolsa eletrônica Nasdaq com o ticker ‘XP’.

O sucesso do IPO promete puxar as ações do Itaú hoje, além de conter a alta do dólar, com o fluxo de dinheiro que vai entrar com a operação. Pode ajudar a acomodar o câmbio, depois do recente pico de estresse.

Ontem, com a liquidez reduzida, a moeda americana interrompeu a série de pregões em queda, para se ajustar em alta, esperando pela agenda movimentada pelo Copom e Fed e precificando as incertezas da trade war.

Chegou à máxima de R$ 4,1515, mas voltou ao patamar de R$ 4,14, para fechar cotada a R$ 4,1488 (+0,47%).

No noticiário da guerra comercial, o diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse no final da noite de ontem que nada indica que as tarifas à China não entrarão em vigor no domingo.

Já ontem, o conselheiro da Casa Branca, Larry Kudlow, havia dado indicações neste sentido (abaixo), esvaziando informação da imprensa americana, de que os EUA poderiam desistir de mais esta investida protecionista.

Assim, os mercados globais continuam operando no escuro, prolongando a agonia da espera.

COPOM

A aposta em corte de 50 pb hoje está contratada, transferindo a expectativa para as próximas decisões.

Alguns profissionais acreditam que o BC já possa retirar hoje mesmo do comunicado a frase que sinaliza um “ajuste adicional” no nível de estímulos, dando por encerrado o ciclo que levou a Selic às mínimas históricas.

Já a parcela que não descarta um corte residual em fevereiro espera que, para preservar a flexibilidade de ação, o comitê de Campos Neto possa adotar uma postura mais dependente de dados com potencial efeito no juro.

É este o suspense, se a queda da taxa básica termina em 4,5% ou se ainda tem a chance de ir a 4% no 1TRI de 2020, apesar do recente choque nos preços da carne, que deve ajustar em alta as projeções do BC para o IPCA.

Além disso, também os sinais de retomada econômica, confirmados pelo PIB/3TRI, reforçam a ideia de que o Copom já pode parar por aqui, dispensando um último ajuste da Selic na primeira reunião do ano que vem.

Analistas de bancos já admitem em maior número o fim do ciclo, enquanto traders mais otimistas ainda resistem e se arriscam a projetar a Selic em 4,25% em fevereiro. Dizem eles que a reação da economia ainda é gradual.

Além disso, defendem que o repique do IPCA responde a pressões temporárias (proteína animal mais cara), que as expectativas inflacionárias continuam ancoradas e que o dólar será contido pela volta do fluxo externo.

Os riscos do cenário externo, com a novela da trade war, ainda podem ter novos capítulos até a hora do Copom.

Ontem, mesmo com o dólar em alta (de olho nos EUA e China), o DI optou pela estabilidade.

Pela manhã, a curva ainda ensaiou algum hedge em um comunicado mais conservador e na chance de o BC encerrar hoje o ciclo de queda. Mas perto do fechamento, devolveu prêmio, para terminar perto dos ajustes.

No fechamento dos negócios, o jan/20 projetava 4,488% (de 4,484%); jan/21, 4,620% (de 4,619%); jan/22, 5,220% (de 5,211%); jan/23, 5,730% (de 5,721%); jan/25, 6,350% (de 6,341%); e jan/27, 6,710% (de 6,701%).

FED

Após três cortes consecutivos do juro, é praticamente unânime a aposta de manutenção hoje do juro, que, a partir daqui, pode ficar onde está por um bom tempo, a não ser que haja uma escalada da tensão com a China.

Dando tudo certo no front comercial, especialistas entrevistados pelo Broadcast não duvidam que o BC americano possa sinalizar no gráfico de pontos que a taxa básica será mantida estável até o fim do ano que vem.

Nas estimativas de setembro, a maioria dos integrantes previa que os Fed Funds ainda subiriam em 2020.

De lá para cá, além dos gestos de aproximação entre Washington e Pequim, uma rodada positiva de indicadores reduziu os riscos de recessão. O payroll de novembro, na última 6ªF, foi o mais recente dado a confirmar a reação.

No menor nível em 50 anos, a taxa de desemprego foi a 3,5% em novembro, o que pode levar o Fed a revisar em baixo hoje a sua expectativa para este dado, que ainda está em 3,7%, pela última estimativa do BC americano.

MAIS AGENDA

Aqui, confirmando os sinais de reação, o IBGE deve informar melhora nas vendas no varejo em outubro (9h), com o sexto mês seguido de crescimento pelo conceito restrito: mediana de 0,10% no Broadcast.

Já pelo conceito ampliado, que inclui o setor automotivo e material de construção civil, o comércio varejista brasileiro pode avançar 0,20% em outubro, completando o oitavo mês consecutivo de crescimento.

Ainda hoje, saem as prévias do IPC-Fipe (5h) e IGP-M (8h), além dos dados semanais do fluxo cambial (14h30).


Leia mais:

Assista também:


Redação Grupo Studio