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Uso eficiente do ar condicionado pode economizar até 87,9 TWh

Um estudo feito pelo Instituto Escolhas indica que é viável atingir 87,9 TWh em energia economizada com ar condicionado, ou R$ 68,5 bilhões em valor de energia abdicada até 2035. Esse valor representa 64% de todo o consumo residencial do país no último ano, ou ao consumo de 56 milhões de casas em 2020, e corresponde 6,7 milhões de toneladas de CO2 equivalentes evitadas durante um ano.

O levantamento considerou três hipóteses de aumento anual de vendas do produto. Na primeira, o aumento seria de 1%, o ganho de eficiência de 2% e a economia de energia seria de 74,6 TWh. Na segunda hipótese, o aumento seria de 2%, o ganho de eficiência de 1,75%, e a economia de energia de 81 TWh. Por último, considerou um aumento de 3%, com o ganho de energia em 1,25% ao ano por 15 anos.

No início do mês, uma portaria do Inmetro aperfeiçoou o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBA) para aparelhos de ar condicionado, fazendo com que os critérios de avaliação do produto como “A” (menor consumo) fossem mais rigorosos. O gerente de Projetos do instituto, Gabriel Kohlmann, revela que sem uma integração da política industrial com os objetivos de ganho de eficiência energética, o novo método de etiquetagem, pode, entretanto, criar algumas dificuldades para os fabricantes de equipamentos.

Kohlmann acredita, que alguns fabricantes brasileiros podem até atingir as metas, através da importação de aparelhos ou porque fabricam os próprios compressores, mas outros encontrarão dificuldades. O mais relevante nessa alteração, é que todos os aparelhos que atualmente estão na etiqueta A, em 2022 passarão para a C, e logo depois, para a D.

Isso quer dizer que para existir uma oferta de aparelhos mais eficientes, será necessário acontecer uma movimentação forte por parte da indústria. Porém, os fabricantes não estão prontos para realizar essa transição, devido à política de incentivos da Zona Franca de Manaus, onde se concentram todas as unidades do setor.

A consequência são aparelhos com maior consumo e ineficientes, que geram uma sobrecarga no sistema elétrico nos horários de alta demanda. O uso do ar condicionado chega a 14% do consumo de eletricidade residencial no país e significa 80% do consumo médio mensal de domicílios sem aparelhos desse tipo, que no ano de 2018 era de 162,48 kWh.

Cerca de 98% dos aparelhos de ar condicionados comercializados no Brasil são feitos no polo industrial da capital do Amazonas. Todavia, para produzir na zona franca é preciso estar de acordo com o Processo Produtivo Básico (PPB), que obriga o preenchimento de uma cota de insumo, no caso o compressor, que é produzido apenas por um fornecedor.

A indústria alega que para mexer na etiquetagem, que é atribuição do Inmetro, é preciso alterar o PPB. Essa mudança, no entanto, envolve a Superintendência da Zona Franca de Manaus e os ministérios da Economia e da Ciência e Tecnologia. “Esse é um ajuste fino que precisa ser feito entre o governo e a indústria no desenho desse PPB, porque na medida em que você faz essa flexibilização incentiva a importação de insumo ou a própria importação de equipamento de ar condicionado. Por outro lado, ter aparelhos mais competitivos é mais economia no bolso do consumidor.”

A proposta é de que seja estabelecido um modelo de Processo Produtivo Básico por pontos, que já existiu no passado, para efeito de concessão de incentivos fiscais. Se o fabricante usar um componente específico de um fornecedor nacional, ganha determinado número de pontos. Haveria também exigência menor de conteúdo local para componentes que contribuíssem para maior eficiência energética dos aparelhos. Para ter acesso aos incentivos, a empresa precisaria de no mínimo 60 dos 100 pontos possíveis.

O estudo do Instituto Escolhas deve ser apresentado oficialmente em um workshop programado para meados de agosto com representantes do governo, da indústria, dos consumidores e do setor elétrico. Além dos resultados, a instituição pretende fazer uma reflexão sobre como será o consumo de ar condicionado no pós-crise, tendo em vista a eventual percepção de risco sanitário pelo consumidor que pode desestimular a compra de novos equipamentos.

Fonte: CanalEnergia


Redação Grupo Studio