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Empresas do ramo de saneamento enfrentam problemas de caixa

Visto como central nos empenhos contra o novo coronavírus, o ramo de saneamento está passando nas últimas semanas por um significativo aumento de inadimplência para o caixa das empresas.

Nas empresas privadas, o índice de não pagadores costuma não ultrapassar 5%, mas no momento, já conta com uma inadimplência de aproximadamente 25%.  Já nas empresas públicas, existem companhias que lidam com inadimplência que estão chegando em torno de 20%. Nos últimos 15 dias, o número ficou em cerca de 21%.

Perante o panorama desfavorável, a crise tem deixado estacionados investimentos no setor. Por ora, empresários não diminuíram suas expectativas para 2020 frente ao recurso já levantado antes da pandemia. Mas o aumento da inadimplência e a falta de oportunidade para novas captações no mercado deixam o ambiente incerto.

Carlos Eduardo Tavares de Castro, diretor-presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), conta que o grupo fala com o regulador do setor sobre a crescente na inadimplência. “O indicador em abril está na casa dos 20%, cinco vezes maior que o normal. Está impossível prever para onde vai à inadimplência”, comenta.

Castro ainda revela que a companhia tem negociado com fornecedores o adiamento de pagamentos para manter a rede funcionando. “Os investimentos da Copasa estão estimados em R$ 816 milhões este ano, crescimento de 31%,” diz.

A Iguá Saneamento, que presta serviços em diversos estados do país, está na mesma direção. A empresa precisou desacelerar no processo de emissão de debênture. O presidente da empresa Gustavo Guimarães, salienta o que mercado simplesmente parou. “Tínhamos tudo pronto. Portarias, autorização do Ministério de Desenvolvimento. A gente ia começar a fazer a apresentação a investidores, mas o mercado travou. Provavelmente, receberíamos R$ 1 bilhão no fim de abril para seguir os projetos que a gente tem”, disse.

O presidente da empresa ainda também comentou que a inadimplência medida por 30 dias em tempos normais fica na casa de 10% a 15%, indo para 4% depois de mais 60 dias. “Na crise, ela veio para 30% em 30 dias. A gente acredita que esse nível de 4% deve voltar apenas em nove meses”, afirmou. Ele destacou que a empresa, que recebeu aporte em 2018 de R$ 400 milhões dos acionistas, tem caixa para arcar com a parcela própria dos investimentos, mas que precisa do mercado, responsável por financiar cerca de 70% do valor total dos projetos. Entre as saídas, estaria uma linha de crédito com os bancos públicos, mas que não aconteceu.

Fonte: Estadão


Redação Grupo Studio