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Kepler Weber: Previ dá espaço à Tarpon

A fabricante de silos agrícolas Kepler Weber iniciou o ano com novidades. Acionista histórica, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, se afastou do capital da empresa depois de mais de duas décadas. A estimativa é que o movimento deve ser seguido pelo BB Investimentos, criando espaço a investidores privados em um momento de juros baixo no qual o negócio de armazenagem agrícola poderá avançar.

Com a saída dos sócios com ligações do Estado, o potencial para ampliar a liquidez dos papéis da Kepler Weber é algo que já começa a ocorrer. No início de 2010, as ações da empresa movimentam aproximadamente R$ 2,4 milhões diariamente, aumento de 70% em comparação à média do ano anterior. Na bolsa, a Kepler está avaliada em R$ 800 milhões.

A gestora Tarpon se destacou entre os investidores. O fundo ampliou a aposta ao longo do ano passado e foi o principal comprador da fatia de 17,5% que era da Previ. No início do mês de janeiro, a Tarpon alcançou uma participação de 25% no capital.

À frente da empresa há um ano e meio, Piero Abbondi, foi econômico ao tratar das alterações na composição acionária. “É um orgulho ter investidores de ponta [como a Tarpon]”, afirmou o presidente da companhia gaúcha.

O executivo também foi cuidadoso ao falar sobre a possível venda da fatia do BB Investimentos, que na semana passada pediu a suspensão da assembleia extraordinária de acionistas que elegeria um membro do conselho de administração. A própria instituição havia indicado Rogério Simonetti Marinho para substituir Fernando Florêncio Campos, um ex-funcionário do BB que se aposentou e renunciou ao conselho em novembro. Com a suspensão, o encontro de acionistas foi remarcado para 24 de janeiro.

Paralelamente às mudanças societárias, a aposta na Kepler Weber é que, com a redução estrutural da taxa de juros, o interesse por investimentos em silos aumentará. Nos planos de Abbondi, 2020 será o ano de confirmar a sustentabilidade dos resultados da companhia, que vêm melhorando. O grupo gaúcho saiu do vermelho e, após um corte nos custos fabris, ampliou a margem bruta de 10,3% para quase 24% entre janeiro e setembro do ano passado.

Para manter o resultado, Abbondi conta com um crescimento da produção agrícola cada vez mais baseado em ganhos de produtividade – há menos áreas de fronteira para serem abertas. Nesse cenário, os silos podem fazer a diferença no resultados dos agricultores. De posse de um estudo do consultor agrícola Carlos Cogo, o executivo argumentou que, com silos próprios, o produtor pode obter um preço quase 10% maior pela soja se beneficia-lá em equipamentos como os feitos pela Kepler.

Em um equipamento típico da companhia gaúcha, o produto não fica apenas “guardado”. Tanto é assim que Abbondi prefere classificar a Kepler como uma companhia do segmento de “pós-colheita”. O grão fica sob constante monitoramento e, antes de ir ao armazém, é limpo e passa por um processo de secagem – os compradores exigem no máximo 1% de impurezas no grão e taxa de 13% de umidade.

O potencial de crescimento da Kepler, que fatura cerca de R$ 700 milhões por ano, é grande dado o histórico déficit de armazenagem no país, de acordo com o executivo. Enquanto nos EUA a capacidade é equivalente ao volume de produção, no Brasil há uma lacuna da ordem de 30%. Quando se considera a presença de silos nas fazendas, a diferença também é relevante – 50% nos EUA e 16% no Brasil. Outro vetor da expansão da Kepler será o setor de logística (portos, ferrovias e rodovias), que deve demandar mais entrepostos.

Fonte: Valor Econômico


Redação Grupo Studio