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Tendências do mercado de trabalho pós-pandemia

A pandemia causou impacto em vários aspectos da vida das pessoas e o lado profissional, não ficou de fora. Com a adoção do home office por grande fatia das empresas, as pessoas precisaram se adapta a um novo estilo de rotina.

Na conferência de investimentos Expert XP 2020, realizada pela XP Inc, as transformações e as tendências do mercado de trabalho que vão permanecer pós-crise, foram temas de muitos painéis.

Os especialistas acreditam que no mundo pós-pandemia o modelo de trabalho será híbrido, com mais flexibilidade, mas que irá exigir novas competências e rotinas.

Veja os principais destaques do evento:

  • Home office e produtividade

Durante o painel “O presente e o futuro dos negócios no ambiente digital”, Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn na América Latina, defendeu que daqui para frente a tendência é a adoção de um modelo de trabalho intermediário entre escritórios e home office.

“Empresas que não acreditavam na viabilidade do home office passaram a acreditar mais e funcionários que achavam que o home office era a solução da vida deles agora acham que é bom passar alguns dias em casa e outros no escritório. Então caminhamos para um mundo intermediário”, explica Beck.

Muitas pessoas ainda estão se adaptando à nova rotina em casa, mas o diretor do LinkedIn acredita que a chave para equilibrar esse novo ambiente de trabalho é a comunicação direta por parte das lideranças para estabelecer rotinas, entender que as pessoas vivem em situações diferentes e que não dá para esperar níveis de produtividade iguais.

“A comunicação é o número um e a empatia o número dois: entender que o fato de uma pessoa achar que o home office está bom para ela não significa que está bom para o outro”, diz o executivo.

Em outro painel, intitulado, “Vaga garantida? O que será diferencial na carreira a partir de agora?”, Lana Brandão, gerente-executiva de Gente e Gestão da XP Inc., ressaltou a importância da atenção dos líderes à performance nesse momento de distanciamento.

  • Mercado mais concorrido

Outro efeito gerado pela pandemia no mercado de trabalho foi o aumento da competição no mercado. Beck explicou que o LinkedIn tinha cerca de 200 mil novas vagas de trabalho disponíveis a cada mês antes da crise, número que hoje caiu para cerca de 150 mil.

Por isso, quem busca uma oportunidade agora deve se preparar para encarar uma concorrência maior.“Se alguém estiver com mais dificuldade, saiba que é normal e está mais difícil para todo mundo porque as empresas se retraíram na pandemia”, disse o diretor-geral do LinkedIn.

Ele acrescentou que as empresas que estão abrindo vagas neste momento são aquelas mais requisitadas durante a crise, como os aplicativos de entrega e companhias que atuam no comércio eletrônico. Também entram na lista empresas que dão suporte às transformações digitais, como de tecnologia ou supply chain (cadeia de suprimentos).

  • Life long learning

Outro tema abordado na Expert 2020 foi a educação durante o painel “Sociedade do Conhecimento: novas tecnologias facilitam a educação continuada”.

O destaque foi para o chamado life long learning ou a educação continuada. Com a maior velocidade das mudanças do ambiente profissional, quem aplicar o aprendizado contínuo pode se destacar.

“A capacidade de sonhar é o mais nobre do ser humano, e isso é a sede de aprender. Então, não dá para você ter uma estrutura de ensino em que você só estuda até um certo tempo da sua vida”, afirmou Daniel Castanho, presidente do conselho da Ânima Educação.

Lana Brandão, da XP Inc., também destacou que em um mercado de trabalho pós-pandemia é fato que os profissionais precisam adquirir essa capacidade. “O que eu aprendi hoje, daqui um ano pode estar obsoleto. Ou seja, mantenha-se atualizado. A crise vai gerar muitas oportunidades para quem se preparar para as mudanças no mercado a partir dela”, explica.

Os participantes reforçaram que, para manter os alunos atualizados e produtivos no novo mercado de trabalho, o modelo tradicional de educação do século XX precisa mudar. Na era do conteúdo gratuito e online, o novo papel da escola é transformar a informação em conhecimento.

“O lugar da escola é o lugar da formação e não da informação. É o lugar de incentivar a formação do aluno como um ser disposto a aprender. O protagonismo do aluno é fundamental, o professor deve habilitar o aluno para o aprendizado. Nada é mais importante para o progresso da sociedade do que a educação”, disse Duda Bastos, líder de negócios para educação do Facebook.

  • Habilidades

Lana também destacou algumas das habilidades que serão mais demandadas no pós-pandemia. “As competências sócio-emocionais são as de maior valor”, diz. Também chamada de softskills, são as habilidades que têm menos a ver com técnica e mais com comportamento e comunicação.

Ela destacou a colaboração e a criatividade como as habilidades mais requisitadas no momento. “Hoje precisamos entender que um time pode nos fazer chegar mais longe. E desenvolver a criatividade é aprender a propor novas soluções e novos meios de ver o mundo”, disse, acrescentando que agilidade, constância no aprendizado e desenvolvimento de uma visão analítica também são diferenciais.

“Por fim, acredito que a humildade, que é compreender que sempre há mais o que aprender, e a coragem, para executar novas ideias, são cruciais também”, diz.

  • LindekIn

Com a pandemia, outra mudança no mercado de trabalho envolve o processo seletivo. Se antes a entrevista presencial era etapa obrigatória, hoje as videochamadas estão substituindo esse encontro. Nesse contexto, o perfil no LinkedIn vem ganhando muita força, já que agora passa a ser uma ferramenta ainda mais importante no conhecimento de candidatos.

Um estudo, intitulado “Comportamento e Consumo de Conteúdo por Investidores & Consultores Financeiros” e encomendado pelo LinkedIn à Greenwich Associates, consultoria especializada em dados sobre serviços financeiros, revela que no Brasil as redes sociais têm uma influência muito maior na captação de clientes por profissionais do mercado financeiro do que em outros países.

Ana citou alguns dados que mostram a relevância específica do LinkedIn para o assessor de investimento. De acordo com ela, há mais de 630 mil líderes de opinião sobre o assunto de finanças e cerca de 380 mil consultores financeiros na rede. Dentre os entrevistados brasileiros da pesquisa da Greenwich, 52% afirmaram usar o LinkedIn para manter contato com novos clientes e se informar sobre possíveis novas conexões.

É justamente isso que Beck recomenda aos profissionais nesse novo ambiente de trabalho. “Use a ferramenta para se conectar com empresas do seu setor, pessoas de RH e profissionais que possam te ajudar de alguma maneira”, diz, acrescentando o networking deve ser constante e não deve acontecer apenas na hora de buscar uma nova posição.

  • Diversidade

Segundo Andrea Schwarz, CEO e fundadora da iigual, empresa de recrutamento e seleção voltada à cultura inclusiva, as empresas brasileiras ainda contratam minorias, sobretudo pessoas com deficiência, para cumprir a Lei de Cotas.

Segundo a executiva, quando as empresas encaram essa condição como um custo, em vez de investimento, limitam suas ações de inclusão desencadeando uma série de problemas como: dificuldade para ascensão na carreira e contratações por tipo de deficiência e não por qualificação.

“Podemos ter as mesmas oportunidades, só que na jornada chamada vida muitos grupos saem atrás. Quem chega lá, não foi necessariamente por mérito, mas, sim, porque largou na frente”, diz.

O pensamento é compartilhado por Luana Génot, fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que pontuou que parte do mundo corporativo ainda não acredita que apostar em diversidade e inclusão pode ser estratégico para gerar valor para a empresa e melhorar os resultados.

“A gente precisa entender que investir em inclusão não é fazer favor para as pessoas. Precisamos criar meios para que esses grupos possam performar financeiramente, ter a sua trajetória aproveitada sem passar por caminhos tortuosos”, diz.

Luana e Andrea participaram do painel “Inclusão social no trabalho: o poder da diversidade para o sucesso das empresas” da Expert 2020, que contou também com Maite Schneider, fundadora da TransEmpregos, iniciativa dedicada a incluir profissionais transexuais no mercado de trabalho.

Em relação aos esforços para transformar a realidade dos profissionais trans, um dos grupos mais excluídos do mercado formal, Maite ressalta que a diversidade não pode se tornar engessada e ineficaz. “A diversidade tem que estar no DNA da empresa, não apenas no RH ou marketing. Quem dorme com mais privilégios tem que acordar com mais responsabilidades”, explica.

Fonte: InfoMoney


Redação Grupo Studio