RECEBA NOSSO CONTEÚDO DE FORMA GRATUITA DIRETAMENTE NO SEU EMAIL

Grupo StudioNotíciasPreservar caixa é a nova regra para startups

Preservar caixa é a nova regra para startups

Recentemente, os fundos de venture capital brasileiros têm dialogado com as empresas de seus portfólios sobre desacelerar o ritmo de gasto de recursos. “O pedido é para zerar a queima de caixa e voltar ao equilíbrio entre receitas e despesas até a crise causada pelo novo coronavírus passar”, conta João Kepler, da Bossa Nova Investimentos.

Nesse contexto, quem tinha uma programação de desembolsar dinheiro em 12 meses, precisa “esticar” o orçamento para 18 meses ou até mesmo para 24 meses. Renato Valente, diretor geral da Wayra, diz que: “Quem não conseguir fazer isso terá problemas”.

Pedro Sirotsky Melzer, que coordena a e.Bricks, conta que as 34 empresas do portfólio têm adotado medidas como renegociação de contratos, reversão de pagamento de executivos em participação acionária, congelamento de contratações e mesmo demissões.

Nomes de destaque no mercado também já foram atingidos. A Gympass – companhia avaliada em mais de US$ 1 bilhão – vem sofrendo com o fechamento de academias e diminui seu quadro em aproximadamente 30%. Outro exemplo é a MaxMilhas, com a paralisação do setor de viagens, a empresa reduziu a equipe em mais de 40%.

Renato Valente diz que acredita em novos investimos, mas que eles devem acontecer de forma mais criteriosa. A Wayra ampliou recentemente o valor aportado nas companhias de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

Outro fator que vai mudar é o valor atribuído às empresas. A expectativa é que a redução nos preços seja superior a 20%, podendo chegar a 50%. “Vamos voltar aos níveis de 2017”, diz Marcello Gonçalves, sócio da Domo Invest. Para ele, não há risco de falta de recursos porque muitos investidores ainda têm interesse em colocar dinheiro em venture capital e os principais fundos têm recursos para aplicar.

O investimento em venture capital vinha crescendo em bastante no Brasil nos últimos anos tanto em termos de volume de recursos aplicados quanto de número de negócios fechados. De acordo com a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (Lavca) as empresas brasileiras levantaram US$ 989 milhões em 88 operações no primeiro semestre de 2019. Os números do segundo semestre ainda não foram fechados, mas o período teve anúncios relevantes como o aporte de US$ 140 milhões do SoftBank na Vtex, de comércio eletrônico.

Nos dois primeiros meses de 2020, o ritmo continuava acelerado. Foram 41 novas rodadas de investimentos ou venda de empresas que tinham fundos de venture capital como sócios. Já em março o número de operações caiu para 12 e na última semana não ocorreu nenhum anúncio.

Porém, isso não significa que novos negócios não estejam acontecendo. A Domo Invest fechou um acordo na última semana dentro da FIP Anjo, fundo de investimentos em participações com R$ 60 milhões de recursos do BNDES gerido por ela.  A Petlove também comunicou ter recebido uma rodada de R$ 250 milhões liderada pelo SoftBank.

Na China, os negócios já estão voltando a acontecer. Na semana encerrada em 28 de março foram 66 operações, o maior volume do ano, de acordo com a PitchBook, que acompanha os mercados de venture capital e private equity no mundo.

A manobra de contenção de gasto é contrária ao que vinha sendo o costume entre os investimentos em venture capital nos últimos anos. O método que dominava era captar o máximo de recursos para financiar a contratação de pessoal, marketing e o desenvolvimento de produtos que, no futuro, seriam importantes em seu respectivo mercado, assegurando retornos aos investidores.

A racionalidade já começava a aparecer depois do fiasco da abertura de capital do We Work, e a revisão da estratégia de investimento do SoftBank, mas o excesso de liquidez ainda deixava no ar a preocupação com a possibilidade de existência de uma bolha. Isso agora parece ser página virada.

Para Humberto Matsuda, gestor de venture capital da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), o momento pode ser positivo para os fundos de investimento. Isso porque, com a queda nos preços das empresas e a possibilidade de reduzir custos operacionais, os retornos futuros para os cotistas podem melhorar bastante.

Já Luiz Guilherme Manzano e Alexandre Mello, sócios do fundo Big Bets, que começou a operar em 2018 e investiu em quatro empresas, consideram que boas oportunidades tendem a surgir à medida que vários problemas da sociedade ficaram aparentes durante a pandemia e precisarão ser corrigidos. As companhias novatas podem criar essas respostas.

Fonte: Valor Econômico


Redação Grupo Studio