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Marketplaces de farmácias crescem durante a pandemia

Após o início do isolamento social no Brasil, analistas apontam que a pandemia já proporcionou uma mudança de patamar definitiva ao comércio eletrônico do país. As farmácias são um exemplo de setor em destaque. Serviços de farmácia online, que ainda tentavam convencer os clientes a comprar através da internet, viram altas de mais de dois dígitos em alguns meses de pandemia. Agora, o desafio do setor é convencer esses clientes e seguir fazendo as compras pela internet nos meses seguintes.

De acordo com dados do Mastercard revelados no relatório do banco BTG Pactual, o e-commerce de produtos farmacêuticos atingiu quase 8% de participação em todas as vendas do ramo no mês de abril. Antes da pandemia causada pelo novo coronavírus, a média geral de participação online no varejo brasileiro era de aproximadamente 6% – com estimativa de que finalize o ano em mais de 10% diante do aumento do e-commerce em 2020.

O marketplace catarinense Farmácias APP, que conta com mais de 107.000 downloads e realiza entregas em até quatro horas para Santa Catarina e a cidade de São Paulo, registrou um aumento de 938% em transação em seu aplicativo na comparação com o período antes da pandemia neste ano. No site da empresa, as altas em números de usuários, receita e transações foram superiores a 300%.

Da mesma forma que no ramo de supermercados, o aumento online das farmácias aconteceu mesmo com os estabelecimentos físicos abertos durante o isolamento social. Com muitos consumidores na área de risco, impedidos de sair de casa, os negócios precisavam buscar novas alternativas.

Com os efeitos da pandemia, a legislação também mudou. Compras de antibióticos, que só eram comercializados com receita médica, nunca foram autorizadas online. Agora, uma receita digital passou a valer, o que aumentou ainda mais as possibilidades do setor.

O marketplace de farmácias Consulta Remédios, de Curitiba, conta com mais de 20 milhões de usuários mensais e 100 farmácias cadastradas, voltou a uma perspectiva menos exponencial em maio. Durante o mês, o crescimento registrado foi de quase 8% em tráfego do site quanto em transações de pedidos ao mês anterior, abril, que teve uma queda de 14% no início da pandemia.

Além dos aplicativos de nicho, houve um aumento significativo nas buscas para criar a própria loja ou vender em marketplaces. A Linx, empresa de serviços de gestão no varejo, que possui mais de 15.000 farmácias clientes, fechou uma parceria para venda de itens de farmácias clientes no marketplace da B2W, responsável pela Amercicanas.com e Submarino.

Para agilizar o processo de vendas, a empresa também elaborou um sistema de site e aplicativo para as farmácias clientes, que o estabelecimento consegue adaptar com seu logo e produtos.

Segundo dados levantados pela empresa de inteligência de mercado Compre&Confie, inserindo o e-commerce não especializado, os itens de saúde estão entre os que mais cresceram em vendas online, aumentando 135% no período entre o fim de fevereiro e maio. Destaque pela busca por produtos como álcool em gel, vitaminas e outros itens relacionados à pandemia.

A alta demanda nas farmácias online, não passou despercebida pelos fraudadores. De acordo com dados da ClearSle, empresa anti-fraude, esse segmento foi o que mais cresceu em tentativas de fraude. Os números subiram 60% em comparação com o mesmo período em 2019.

Legado

Depois da “corrida às farmácias” que aconteceu no início da pandemia, agora o setor aguarda para saber quantos dos clientes adquiridos na quarentena, irão seguir realizando as compras online.

A maior rede de farmácias do país, a Raia Drogasil, criou um serviço de entrega grátis para clientes no mesmo bairro das unidades, além da ampliação de modelos de retirada das compras online. Aos investidores, a companhia informou que deseja seguir investindo na digitalização.

Ainda de acordo com o levantamento feito pela Compre&Confie, no último ano, as vendas online da saúde representavam 1% em vendas totais do e-commerce brasileiro, atualmente, chegaram a quase 3% no mês de março.

Os dados internos da plataforma mostram também o movimento de volta à normalidade. O pico da procura por itens de saúde ocorreu no fim de março, início da quarentena no Brasil. Depois, tanto no Brasil quanto no restante da América Latina, as taxas de procura por saúde começam a retornar aos níveis pré-pandemia.

Os próprios dados da Linx mostram, na outra ponta, um dos desafios do setor para o crescimento de longo prazo: mais de 60% das compras monitoradas pela empresa foram em dinheiro, isto é, usando as farmácias físicas, mesmo durante a pandemia. Os custos de frete, que podem representar uma porcentagem alta das compras mais baratas, são uma das barreiras em potencial para o setor.

Fonte: Exame


Redação Grupo Studio