RECEBA NOSSO CONTEÚDO DE FORMA GRATUITA DIRETAMENTE NO SEU EMAIL

Grupo StudioNotíciasLoft toma precauções contra o novo coronavírus

Loft toma precauções contra o novo coronavírus

Em função do coronavírus, a startup voltada para o setor imobiliário Loft, está realizando uma série de adaptações para seguir com o negócio. Dentre os diversos segmentos atingidos pela pandemia que já infectou mais de 190.00 mil pessoas, o ramo imobiliário está na lista dos muitos alvos inevitáveis. Florian Hagenbuch, fundador e presidente da companhia, conta que: “temos um componente off-line muito grande, que são as obras, as visitas a apartamentos”.

A startup possui mais de 500 funcionários fixos, além de possuir uma cadeia de aproximadamente 12.000 trabalhadores direitos e indiretos, como pedreiros, decoradores e corretores imobiliários parceiros. A Loft trabalha em mais de 500 prédios no momento – e todos precisam enfrentar mudanças neste momento.

Ainda que, as obras não tenham parado completamente, a empresa vem buscando inspirações em países do exterior para determinar medidas de segurança. Os trabalhadores já estão atuando com algumas precauções, como: uso de máscaras e luvas, distância de 1 metro uns dos outros e com higienização constante com álcool gel. O habitual aperto de mãos entre corretores e clientes foi coibido.

Em busca de diminuir o número de visitas presenciais, os corretores tem acesso a uma ferramenta de tour virtual, que permite fazer uma visita completa no imóvel totalmente à distância. Fotos 3D também é uma opção oferecida pela Loft.

A startup possui atualmente mais de 300 apartamento à venda, a maioria localizado em bairros de alto padrão e acima de 1 milhão de reais. Nos últimos meses a empresa aumentou sua presença territorial e já se faz presente em 37 bairros.

Criada em 2018, a Loft entrou em dezembro de 2019 no grupo de unicórnios brasileiras, empresas com valor de mercado maior que 1 bilhão de dólares. Além de São Paulo, a empresa também opera em Belo Horizonte e possui um escritório em São Jose dos Campos, interior paulista.

Ainda sobre o coronavírus, a Rappi também está tomando atitudes importantes. A plataforma de entrega ofertou a moradores de 500 prédios onde a Rappi atua centenas de cupons de fretes grátis – para pedidos feitos através do aplicativo. O intuito é que moradores tenham acesso a itens de farmácia e supermercado sem precisar sair de casa. A iniciativa teve inicio no dia 16 de abril e vai até o dia 29 de março.

O presidente da Loft ressalta a preocupação com os vizinhos. “No geral, são bairros com grande número de idosos”, completa.

Crise

Hagenbuch está à frente de um movimento de empresários, principalmente de startups de tecnologia, que vêm criando uma série de práticas para lidar com o coronavírus e buscar evitar a disseminação intensa da doença.

Um grupo de mais de 400 empresários, entre eles Hagenbuch, também assinou uma carta aberta batizada de “Compromisso pelo combate à propagação do vírus Covid-19 no Brasil”, inspirada no movimento #StopTheSpread dos Estados Unidos (pare a disseminação, em inglês). “O que fizemos agora vai mostrar se vamos ser a Coreia do Sul ou a Itália. É nossa responsabilidade como empresário tentar minimizar a questão sanitária de alguma forma”, diz Hagenbuch.

Na Loft, foi criado um comitê de crise que se reúne duas vezes por dia (remotamente, é claro) e atualiza o cenário do coronavírus e medidas empresariais em um documento aberto, que disponibilizou em suas redes sociais. No documento, há desde as medidas tomadas pela própria Loft até dicas para outros empreendedores, como ferramentas para reunião e organização online ou medidas para proteger o negócio em tempos de crise.

“Eu falo todos os dias com contatos da China sobre como foi lá. E tirando setores como as empresas de colaboração e de vídeo, como Zoom ou Trello, tem poucas que saíram ilesas”, diz o fundador da Loft. Em contrapartida, o empreendedor acredita que o caso pode ser uma oportunidade para que muitos setores da economia, dentro de suas especificidades, se digitalizem e se preparem para novas crises.

Adversidades

A Loft acompanha os desafios que serão encarados no setor imobiliário durante as semanas — ou meses — de tensões pela pandemia do novo coronavírus. No Brasil, são mais de 389.000 corretores de imóveis e mais de 48.000 imobiliárias, de acordo com dados de 2019 do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Boa parte destes profissionais são autônomos ou ganham por comissão, dependendo das novas vendas ou locações para gerar renda.

A construção e os profissionais envolvidos nas obras também serão afetados. Associações do setor como a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) ou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ainda não divulgaram projeções do impacto do vírus no segmento. Mas uma eventual paralisação das cidades em meio ao coronavírus e as quarentenas que já começam a ser realizadas em cidades muito afetadas, como São Paulo, tendem a reduzir drasticamente as movimentações no setor, prejudicando empresas e trabalhadores.

Assim como a Loft, a concorrente Vitacon lançou mão de um tour virtual para que compradores visitem os empreendimentos. A empresa informou por meio de sua assessoria de imprensa que cancelou novos lançamentos previstos para março, fechou os estandes de vendas e colocou seus corretores apenas em plantão online. Todos os trabalhadores estão em regime de home office, incluindo os corretores associados à incorporadora.

A Homer, startup que atua na intermediação entre corretores parceiros e clientes interessados, também criou um manual de dicas para os corretores. São mais de 40.000 corretores cadastrados na plataforma (e que não são funcionários diretos da Homer, atuando somente como parceiros). A presidente Lívia Rigueiral fez uma transmissão ao vivo para os profissionais nesta semana, e novos webinars devem ser agendados ao longo do mês. Um evento da empresa também precisou ser cancelado em virtude do vírus.

Antes do coronavírus, o ano de 2020 era para ser de ouro para o setor, em meio a um período de juros baixos no Brasil — em 2019, só em São Paulo, foram mais de 44.700 unidades comercializadas, número recorde e alta de 49,5% em relação a 2018. A previsão para 2020 no Brasil inteiro era conseguir vender 1 milhão de imóveis, segundo o presidente da Abrainc e dono da MRV, Rubens Menin.

Na China, país onde o coronavírus começou e onde há mais de 81.000 casos confirmados, as vendas de imóveis residenciais caíram quase 35% nos primeiros dois meses do ano. A Loft ainda não divulga projeções de o quanto suas vendas ou visitas podem ser impactadas pelo coronavírus. Mas prevê que serão tempos conturbados até que a pandemia passe.

Fonte: Exame


Redação Grupo Studio