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Empreendedores querem lançar nova bolsa de valores com foco em startups

Considerando o atual cenário da economia brasileira, os empreendedores do Banco Maré querem criar uma nova bolsa de valores no país, porém com um foco diferente: startups de impacto social e ambiental. O intuito é facilitar o acesso à renda variável e democratizar o financiamento de empresas que encontram dificuldade de conseguir aportes de investidores anjo.

Fundado em 2016, o Banco Maré é uma fintech que surgiu como plataforma de investimentos no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para levar serviços financeiros a uma população esquecida pelos grandes bancos. Em quatro anos, o número de clientes ativos já atinge a marca de 37 mil. Eles podem realizar pagamentos, depósitos e compras usando a Palafita, moeda digital do banco.

“Nós sabemos o quão difícil é para uma startup de impacto social se capitalizar. Isso é algo muito mais fácil no exterior, onde há uma preocupação muito maior com sustentabilidade [ESG] do que aqui”, disse Alexander Albuquerque, co-fundador do Banco Maré. “Tivemos poucos investidores no Brasil, os principais vieram do exterior. Nos Estados Unidos, 40% dos investidores investem em empresas de impacto.”

Eduardo Baumel, CEO da futura bolsa, acredita que a pandemia de Covid-19 evidenciou a importância do investimento de impacto. Segundo ele, a ideia é atrair pequenos doadores para transformá-los em sócios de empresas que geram retorno para eles próprios e suas comunidades.

A nova bolsa será chamada de (bvm:)12 — bolsa de valores do Maré — e terá sua sede no Rio de Janeiro, próxima ao aeroporto Santos Dummont, mas os empreendedores querem abrir uma filial em Nova York, nos Estados Unidos, no ano que vem. O 12 no nome é uma referência ao seu principal índice, que terá ações de 12 companhias que já demonstraram interesse em ter papéis listados — sendo duas da África, uma da Índia, uma da Colômbia e as demais, brasileiras.

“Primeiro vamos colocar as empresas brasileiras e só depois as estrangeiras, até porque a CVM [Comissão de Valores Mobiliários, órgão regulador do mercado de capitais no Brasil] tem que orientar como devemos fazer isso”, disse Baumel. A expectativa do CEO da (bvm:)12 é de que ela comece a funcionar ainda neste ano e possa atrair cerca de 150 mil investidores logo no início das operações.

Mas isso vai depender da CVM, já que a (bvm:)12 pretende se enquadrar nas regras do sandbox anunciadas pelo órgão regulador em maio (Instrução 626). Muito comum no exterior, o sandbox é um ambiente de testes controlado e supervisionado pela CVM para que empresas possam inovar no mercado de capitais com segurança. Era uma demanda antiga do mercado que só começou a sair do papel no Brasil agora — em ritmo lento.

Embora a CVM tenha apresentado as regras do sandbox em maio e um comitê tenha sido criado para isso, o órgão regulador ainda não divulgou quando começará a receber os pedidos de autorização para que projetos como o da (bvm:)12 possam começar a funcionar. Em contato com o InfoMoney, a assessoria de imprensa da CVM informou que isso deve ser feito em breve — e só então será divulgado o calendário com as datas das etapas do processo de análise e aprovação das ideias.

“Nós já procuramos a CVM e eles estão cientes do nosso projeto de lançar uma nova bolsa no Brasil. Estamos montando toda a nossa estrutura dentro das regras do sandbox anunciadas para dar entrada no pedido assim que a CVM permitir”, disse Baumel. O custo operacional da (bvm:)12, por ora, tem sido pago pelo Banco Maré.

“Acreditamos que o projeto será aceito pela CVM para o sandbox, já que cumpre todas as regras e estamos bem estruturados. Essa é a nossa expectativa. Mas, em caso de uma improvável negativa por parte deles, então usaríamos a Instrução CVM 588, pedindo o relaxamento pontual de algumas regras, e o mercado secundário a gente estabeleceria no exterior, mas entendemos que isso não vai acontecer”, afirmou Albuquerque, do Banco Maré.

“É uma oportunidade para o Brasil e para o mundo, pois empresas de impacto de qualquer lugar poderão empresas listadas aqui. Ter uma bolsa que possa causar um impacto tão grande de forma global tendo nascido em um dos complexos mais pobres e violentos da América Latina era algo impensável um tempo atrás, mas hoje é uma realidade”, completou o CEO do Banco Maré.

Fonte: InfoMoney


Redação Grupo Studio