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Crédito privado se salva na renda fixa e é hora de investir

Com os juros tão baixos atualmente no país, há quem diga que a renda fixa foi para o espaço e que até o pequeno investidor precisa escalar até a bolsa se estiver em busca de retornos mais altos no longo prazo. Todavia, existem diversos caminhos para percorrer e acrescentar riscos nos investimentos antes de chegar nas ações. Um deles fica ainda na renda fixa e está pagando bem: o crédito privado.

São títulos emitidos por empresas para se financiar, como debêntures e letras financeiras. A forma mais sugerida para o pequeno investidor comprar esses títulos é através de fundos de crédito privado.

Esse mesmo mercado causou espanto em diversos investidores durante a crise gerada pela pandemia. Porém, agora, está no começo de uma lenta recuperação, se acordo com especialistas no assunto. Melhor dizendo, é hora de comprar, antes que fique caro.

No pior cenário do mercado este ano, investidores correram para vender cotas de fundos de crédito privado, temendo o que poderia acontecer com a economia. Consequentemente, gestores de fundos tiveram que vender títulos bons a qualquer preço para pagar cotistas.

No mês de abril, o IDA –DI, índice de debêntures de Anbima, chegou a amargar uma queda acumulada acima de 8%. Logo após, o indicador apontou uma forte recuperação, como os outros investimentos de risco do mundo, mas ainda está no negativo no ano. Hoje, o IDA-DI soma uma queda de -0,8% em 2020.

O movimento de recuperação dos preços dos títulos de empresas mais negociados no Brasil, e consequentemente, de queda nas taxas oferecidas para compradores, está só começando, de acordo com especialistas. A remuneração exigida pelos investidores para comprar crédito privado ainda está alta.

Apesar das taxas dos títulos privados mais negociados no mercado terem diminuído desde o auge do estresse, há papéis com bons riscos de crédito oferecendo o CDI — uma taxa quase igual à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 2,25% ao ano — mais um adicional entre 3% ao ano e 4% ao ano. Nada mau em tempos de juros deprimidos.

É importante ressaltar que a Selic tende a continuar baixa por um longo período. Os economistas esperam que a taxa básica de juros chegue a 2% ao ano no fim deste ano e a 3% ao ano no final de 2021, segundo o Boletim Focus do Banco Central.

Futuro

O Brasil está atrasado no movimento de correção dos preços de títulos corporativos em relação ao que aconteceu no mercado nos Estados Unidos. No entanto, vários fatores sugerem que a demanda por esses papéis vai aumentar e, consequentemente, causar a valorização dos títulos.

No mercado, há a percepção de que os estímulos do Banco Central e do governo têm surtido efeito na recuperação dos investimentos de risco e na economia. Assim, o risco de crédito das empresas tende a diminuir. O pior já ficou para trás, de acordo com especialistas.

Uma notícia em especial durante a pandemia trouxe conforto e um motivo a mais para o mercado confiar no crédito privado. O Congresso aprovou a possibilidade do Banco Central comprar títulos de crédito privado, caso seja necessário, para ajudar a estabilizar as taxas em momentos em que todo mundo quer vender seus papéis, como já aconteceu. Isso já é feito pelos principais bancos centrais do mundo, como o Federal Reserve (Fed), o banco central nos Estados Unidos.

Os retornos esperados são bastante atraentes especialmente nos títulos dos fundos chamados “high grade”, no jargão do mercado, ou seja, de emissores que são mais confiáveis e têm menos chance de trazer dor de cabeça a investidores por algum problema de crédito.

Esses títulos, de grandes empresas, continuam sendo negociados com taxas equivalentes às de emissores de altíssimo risco, enquanto as ações dessas companhias já acumulam altas expressivas. Ou seja, os papéis estão oferecendo taxas altas aos investidores, mas a chance real de empresas sólidas não pagarem suas dívidas e darem calote é pequena. E cabe aos gestores dos fundos encontrarem essas barganhas.

Crédito privado e reserva de emergência não combinam

Uma consequência do risco de crédito estável e do retorno alto é uma diminuição dos resgates dos fundos de renda fixa como um todo, observada desde abril. Ainda assim, nos fundos de renda fixa, os saques superaram as captações em R$ 95,2 bilhões no acumulado do 1º semestre, segundo a Anbima, porque as captações seguem baixas.

“As pessoas exageraram no movimento de saída e agora perderam o medo de que estão dando dinheiro para a empresa e vão perder tudo. O mercado é consistente, tem profundidade. Crédito privado é o maior tipo de ativo do planeta”, diz Daniel Pegorini, diretor-presidente e sócio da gestora de fundos Valora Investimentos.

O gestor lembra que os retornos negativos dos fundos aconteceram porque tinha pouca demanda e muita oferta de títulos corporativos no mercado, não porque as companhias deixaram de pagar suas dívidas.

Agora, com menos gente vendendo suas cotas, os gestores têm mais margem para montar carteiras pensando no médio prazo, o que pode ajudar os fundos a ter bons retornos.

No entanto, os próprios gestores de fundos de crédito privado alertam que a volatilidade é normal nesse mercado e que não é para deixar a reserva de emergência, um dinheiro para estar disponível para os momentos de aperto, como o próprio nome diz, nesses produtos.

“Percebemos que muitos investidores não olhavam o crédito privado como uma alocação de longo prazo, e sim como uma alocação de caixa. Tinham reserva de emergência nesses fundos e não estavam cientes de todos os riscos”, diz Marcia Lima, chefe de relações com investidores da gestora de fundos Quasar.

Fonte: Valor Econômico


Redação Grupo Studio