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Grupo StudioNotíciasComo proteger as startups da crise gerada pelo Coronavírus?

Como proteger as startups da crise gerada pelo Coronavírus?

Os casos de coronavírus no Brasil têm aumentado diariamente. Com isso, as empresas precisam estar preparadas para uma desaceleração na economia. O índice Ibovespa fechou a semana em queda de 15,68% na última sexta-feira, o pior resultado desde 2008. No mesmo dia, o dólar encerrou cotado a 4,8128 reais, um recorde frente ao real.

Em busca de minimizar o impacto nas startups, gestores e sócios de fundos de investimento estão orientando os presidentes das empresas de seu portfólios para que elas sigam medidas para manter seus funcionários e seus negócios protegidos neste momento.

Em nota, o presidente da Associação Brasileira Startups, Amure Pinto, disse o seguinte: “vamos levar algum tempo até ver a recuperação econômica que coloque tudo nos mesmos patamares que estávamos em dezembro de 2019 e por esse motivo, precisamos rever e questionar todas as premissas de negócios que estavam planejadas para o ano”.

Ainda não é possível antever qual será o tamanho da influência da crise no setor de forma geral, considerando que startups em diversas fases de negócio e trabalhando nas mais distintas áreas. Em conversa com a EXAME, Pedro Pinha Teixeira, sócio da aceleradora Troposlad, revelou que as startups com mais riscos de serem afetadas são as que importam produtos dos países como China, Itália e Coreia do Sul.

Pedro ainda salienta que empresas brasileiras de hardware, dependem de produtos chineses e já sentem a escassez ou a redução do preço dessas peças. Startups ligadas a indústria 4.0 ou com soluções de internet das coisas, que necessitam de sensores e aparatos de medição, devem ser afetadas diretamente.

Para Pedro Waengertner, presidente da empresa de investimentos e aceleradora ACE (Cuponeria, Love Mondays), comenta que os negócios que dependem de atuação no mundo offline serão os primeiros a sentir o impacto da crise gerada pelo coronavírus.

Porém, nem todas as empresas devem ser afetadas. “Startups que trabalham com eventos vão ser muito impactadas, mas as que trabalham com streaming de eventos podem crescer. Depende do tipo do produto”, diz o presidente da ACE.

O momento é propício para o crescimento das empresas que trabalham com encomendas. No último mês, o aplicativo colombiano Rappi já teve uma crescente de 10% nos pedidos de farmácia.

Precaução:

Marcos Toledo, gestor de fundo Canary (Loft, Buser), explica que a principal preocupação que empreendedor precisam ter é com a gestão de caixa. “Como investidores, temos passado a mensagem para os fundadores de que a crise uma hora vai passar, mas que é preciso chegar vivo do outro lado”.

Daniel Chalfon, sócio da Astella Investimentos (Resultados Digitais, Kenoby), tem pedido para que as empresas investidas pelo fundo sigam neste mesmo caminho. Para ele, startups em estágios iniciais, que estão captando investimentos seed ou série A não devem ser muito afetadas agora. “Os processos continuam, quem tem negócio para anunciar vai anunciar nas próximas semanas”, pontua.

Chalfon acredita que o momento é mais difícil para as startups maiores, que estão levantando valores maiores de investimento, em rodadas que dependem quase que exclusivamente de investidores internacionais — mais sensibilizados pela crise. “Empresas precisam ter cautela redobrada com o caixa. Talvez não seja adequado fazer uma rodada nos próximos doze meses”, afirma.

O diretor de estratégia e inovação do BV, Guilherme Horn, concorda que as rodadas de captação de investimento talvez sejam adiadas .Ainda assim, ele está otimista e não acredita que a situação vai ser tão crítica para as startups como será para outros setores da economia. “De uma forma geral, crises costumam ser boas para startups — nesses momentos elas podem respirar, aprender um pouco mais sobre produto, rever processos internos”, diz.

Mas quanto ao futuro, os investidores estão otimistas. Depois de toda a crise gerada pelo coronavírus, eles acreditam que a empolgação do mercado de Venture Capital com as empresas do país vai voltar.

Quem pode passar por dificuldade são as empresas menores, que não possuem nenhuma rede de apoio. “A situação é grave e pode ter impacto grande nos pequenos e médios negócios do país.  A sociedade e o governo deveriam estar preocupados em como minimizar o impacto para essas empresas”, explica Chalfon.

Fonte: Exame


Redação Grupo Studio